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Reflexões sobre o ócio e afins – Parte 2

Abril 7, 2008

(Foto: tirada por mim mesmo, da sensacional campanha da Revista Trip, Outdoor na Rua da Consolação, São Paulo, Janeiro de 2006.)

Ainda refletindo sobre a falta que o ócio nos faz, lembrei de um episódio da última semana que me fez pensar muito sobre o tema, até com certa complexidade. Estava na aula de Gestão de Negócios, com a professora insuportável de chata e se achando a sra. perfeita (é, professores de adm sempre se acham a perfeição em pessoa), fora a minha antipatia natural por ela, mas isso não convém dizer agora. Nessa aula, ela falava sobre ser perseverante, de dar sempre o melhor de si, mas de uma maneira bem xiita, se privando de fins de semana, feriados, e com a célebre pergunta: o que você faz da meia-noite às seis da manhã? E o pior: ela citando exemplos dela mesma, de se privar de vários momentos de lazer, inclusive de uma viagem a negócios em um lugar com neve (não citou o local) em que ela diz: “deixei de sair e conhecer a neve pra ficar trabalhando, pra um dia, poder conhecer a neve a lazer mesmo.” Até onde eu saiba, ela nunca voltou ao local referido, ou qualquer outro com neve.

E eu, com a minha linha de pensamento funcionário público, tive vontade de perguntar a professora a pergunta já feita pela revista Trip aos seus leitores (e que gerou uma ótima série de reportagens sobre qualidade de vida, quem puder, leia): Você é feliz? Não acredito que ela seja. Cercada de compromissos e se matando de trabalhar, sacrificando a vida pessoal, ninguém consegue ser feliz. Nem mesmo um workaholic, daqueles que trabalha demais por que gosta. Hora ou outra todo esse desgaste pode acarretar problemas na saúde, stress, e ninguém consegue ser feliz com a saúde cambaleando. Também entendo que uma grande parcela das pessoas não seja feliz por completo, mas agir como essa professora é uma grande contribuição para a não-felicidade, para o stress, a mesquinharia e a mediocredade como pessoa. Tá, ela pode ser uma grande profissional, mas tenho lá minhas dúvidas. Por exemplo, na minha antiga turma, na Fapi, o pessoal mais nerd, que era 10 absoluto em todas as provas, em sua grande maioria, ou não trabalha, ou faz uns estágios bem chulé, enquanto a turma do fundão, que ia pro bar todo dia, conseguiu os melhores trabalhos. Por aí eu tenho a medida de quanto as relações interpessoais podem alavancar a pessoa. E não há escola que ensine isso, a não ser a da vida. Que não pensem que sou, ou estimulo as pessoas a serem vagabundos completos, mas pessoas workaholic, nerd e sem vida pessoal não são as que gosto de ter por perto.

Gostei disso! O post foi muito além do tema proposto, e pude falar de qualidade de vida! Mas não se empolguem muito, são os Padrões Leonardo Ávila de Qualidade de Vida, que nem sempre são politicamente corretos.

Abraço!