
Esse clássico de Chico Buarque, que na verdade é uma carta disfarçada de música, endereçada à um amigo seu exilado na época, remete um pouco do que vivi ontem, mas lógico, sem qualquer resquício da genialidade dele. Estava no MSN com uma amiga que está fora do Brasil faz um tempinho já, e ela me pede pra falar como estão as coisas por aqui. Confesso a vocês que foi difícil fazer um resumo de coisas tão óbvias para nós que estamos aqui, convivendo com tudo. O pior são as notícias que eu mando: cartões corporativos, explicar o que é a dança do Créu, Corinthians rebaixado (pior que ela é corintiana, que prazeroso foi dar essa notícia!), Guaratinguetá em primeiro (uma notícia bem sem nexo para quem está fora faz um tempo, não?), dentre outras. Mas na minha opinião, o mais difícil foi explicar o filme Tropa de Elite e toda a repercussão q ele causou. Mas de fato é de se pensar, as perguntas dela foram bem coerentes, do tipo: Então quer dizer que tá todo mundo pagando pau pra uma polícia opressora e assassina?, e: E só aparece um ponto de vista no filme, só eles tem razão e ponto? Depois dessas eu estava quase pedindo pra sair! Mas de qualquer jeito, foi um ótimo exercício de síntese, de tentar resumir o que se passa com uma sociedade toda, tarefa nada fácil.
Seria tão mais fácil simplesmente responder: Aqui na terra tão jogando futebol, tem muito samba, muito choro e rock’n'roll…